Acredite e acontecerá?

Texto de P. Alcides Marques, CP

Não sei se você já ouviu falar do livro e/ou do filme-documentário “O segredo”? (The Secret). O filme fez um grande sucesso e o livro tornou-se um best-seller. Por que o segredo? Exatamente porque pretende revelar o segredo mais importante da vida para seus leitores. É a chamada lei da atração. Do mesmo modo que existe a lei da gravidade, existe a lei da atração. E esta lei consiste no seguinte: as coisas na sua vida acontecem em sintonia com aquilo que você pensa, ou seja, aquilo que você pensa você atrai para si. Pensamentos de sucesso atrairão o sucesso. Pensamentos de saúde atrairão saúde. E assim sucessivamente. Será? Continue lendo “Acredite e acontecerá?”

O Santo Transgressor

SÃO JOSÉ – Livro do P. Mauro

Ninguém como ele “transgrediu” tão frontalmente a Lei de Deus! Transgrediu-a em dano próprio, mas em benefício de alguém muito querido. E de Alguém (usamos, intencionalmente, o “A” maiúsculo) que ele não tinha noção clara de quem era. Era-lhe Alguém e isso lhe bastava! Nem sabemos se, em sua caminhada terrena, teve noção nítida da magnitude, da estatura moral desse Alguém. E foi transgressor, não para beneficiar-se a si mesmo, como fazemos ao pecarmos. Continue lendo “O Santo Transgressor”

O sentido da missa diária

Texto de P. Alcides Marques, CP

Nós católicos temos um mandamento (da Igreja) que exige a nossa participação na missa aos domingos e festas de guarda. Por domingo, seguindo a tradição judaica, entendemos não só o dia em si do domingo, mas a véspera (sábado) desde o meio-dia. O problema do mandamento é que ele incentiva uma distorção da prática religiosa. A pessoa vai à missa por obrigação exterior; alguns até por medo. E aí a participação fica apenas formal (fisicamente presente), não um momento forte de encontro com Deus e os irmãos e irmãs.  É urgente que as nossas Igrejas façam uma catequese a respeito do sentido do domingo e da participação semanal na missa. Ninguém deve ir à missa por obrigação, mas também é estranho que um cristão não sinta a necessidade de um encontro comunitário semanal com Deus e os irmãos (ãs). Mas existem alguns cristãos que vão além; que participam da missa todos os dias ou quase todos os dias. Qual seria o sentido dessa prática espiritual? Continue lendo “O sentido da missa diária”

O peso da realidade

Texto de P. Alcides Marques,CP

“Viver sem sonhar, não é viver”. Não sei se você já ouviu esta frase antes. Mas ela é tradutora da necessidade que temos de colocar para nós mesmos desafios a serem atingidos, mesmo que aparentemente pareçam difíceis.  Se ficarmos prisioneiros das nossas capacidades e possibilidades atuais, vamos ficar para sempre patinando; dando volta ao redor de nós mesmos, como o cachorro tentando pegar o próprio rabo. No entanto, não podemos viver só de sonhos. É preciso também aprender a lidar com a realidade. Continue lendo “O peso da realidade”

Igreja e pedofilia 07/07/2014

Homilia do Papa Francisco na missa do dia 07/07/2014, na capela Santa Marta, com algumas vítimas de abusos sexuais por parte do clero.

A imagem de Pedro, cujo olhar, vendo Jesus sair desta sessão de duro interrogatório [no Sinédrio], se cruza com Jesus e chora, vem-me hoje ao coração ao cruzar o vosso olhar, o olhar de tantos homens e mulheres, meninos e meninas; sinto o olhar de Jesus e peço a graça do seu chorar.

A graça da Igreja chorar e fazer reparação pelos seus filhos e filhas que traíram a sua missão, que abusaram de pessoas inocentes com os seus desvarios. E hoje sinto-me agradecido a vós por terdes vindo aqui.

Há tempos que sinto no coração um profundo pesar, vendo um sofrimento escondido durante tanto tempo, dissimulado numa cumplicidade que não encontra explicação, até que alguém se deu conta de que Jesus olhava e depois outra pessoa notou o mesmo e mais outra se apercebeu disso mesmo… e animaram-se a sustentar este olhar. E aqueles poucos que começaram a chorar, contagiaram a nossa consciência fazendo-a chorar por este crime e pecado grave. Sinto no meu coração angústia e pesar pelo fato de alguns padres e bispos terem violado a inocência de menores – e a sua própria vocação sacerdotal –, abusando deles sexualmente. Trata-se de algo mais que atos ignóbeis; é uma espécie de culto sacrílego, porque estes meninos e meninas tinham sido confiados ao carisma sacerdotal para os conduzir a Deus e eles sacrificaram-nos ao ídolo da sua concupiscência. Profanaram a própria imagem de Deus, pois foi à imagem d’Ele que fomos criados. A infância – todos nós o sabemos – é um tesouro. O coração jovem, tão aberto e cheio de confiança, contempla os mistérios do amor de Deus e mostra-se disponível de uma forma única para ser alimentado na fé. Hoje, o coração da Igreja contempla os olhos de Jesus nestes meninos e meninas e quer chorar. Pede a graça de chorar perante estes atos execráveis ​de abuso perpetrados contra os menores; atos que deixaram cicatrizes para a vida inteira.

Sei que as vossas feridas são uma fonte de profunda e muitas vezes implacável pena emotiva e espiritual e até mesmo de desespero. Muitos daqueles que sofreram esta experiência, procuraram compensações na dependência. Outros experimentaram sérios distúrbios nas relações com pais, cônjuges e filhos. Particularmente grave foi o sofrimento das famílias, já que o dano provocado ​​pelo abuso atinge estas relações vitais.

Alguns sofreram mesmo a terrível tragédia do suicídio de um ente querido. A morte destes filhos amados de Deus pesa sobre o coração e sobre a minha consciência e a de toda a Igreja. A estas famílias, apresento os meus sentimentos de pesar e de amor. Jesus, torturado e interrogado com a paixão do ódio, é levado para outro lugar e olha; olha para um dos seus – aquele que O renegara – e fá-lo chorar. Pedimos esta graça, juntamente com a da reparação.

Os pecados de abuso sexual contra menores por parte de membros do clero têm um efeito devastador sobre a fé e a esperança em Deus. Alguns há que se agarraram à fé, enquanto, a outros, a traição e o abandono corroeram a sua fé em Deus. A vossa presença aqui fala do milagre da esperança que prevalece sobre a mais profunda escuridão. É, sem dúvida, um sinal da misericórdia de Deus o fato de termos hoje esta oportunidade de nos encontrarmos, de adorar o Senhor, de nos fixarmos olhos nos olhos  e de buscar a graça da reconciliação.

Diante de Deus e do seu povo, sinto-me profundamente consternado pelos pecados e os crimes graves de abuso sexual cometidos por membros do clero contra vós e humildemente peço perdão.

Peço perdão também pelos pecados de omissão por parte dos responsáveis da Igreja que não responderam de forma adequada às denúncias de abuso apresentadas por familiares e por aqueles que foram vítimas de abuso. Isto causou ainda ulterior sofrimento àqueles que foram abusados e pôs em perigo outros menores que se encontravam em situação de risco.

Por outro lado, a coragem que vós e outros demostraram fazendo emergir a verdade foi um serviço de amor, projetando luz sobre uma terrível obscuridade na vida da Igreja. Não há lugar, no ministério da Igreja, para aqueles que cometem abusos sexuais; e comprometo-me a não tolerar o dano infligido a um menor por quem quer que seja, independentemente do seu estado clerical. Todos os bispos devem exercer o seu serviço de pastores com o máximo cuidado para salvaguardar a protecção dos menores, e prestarão contas desta responsabilidade.

Vale, para todos nós, o conselho que Jesus deu para quantos dão escândalo: …a mó do moinho e mar (cf. Mt 18, 6).

Além disso continuaremos a vigiar sobre a preparação para o sacerdócio. Conto com os membros da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, todos os menores independentemente da religião a que pertençam: são os pequeninos que o Senhor olha com amor.

Preciso que me ajudem a fazer com que possamos dispor das melhores políticas e procedimentos na Igreja universal para a proteção dos menores e para a habilitação de pessoal da Igreja na realização de tais políticas e procedimentos. Devemos fazer tudo o que for possível para garantir que tais pecados não mais se repitam na Igreja.

Irmãos e irmãs, sendo todos membros da família de Deus, estamos chamados a entrar na dinâmica da misericórdia. O Senhor Jesus, nosso Salvador, é o exemplo supremo, o inocente que carregou os nossos pecados na cruz. Reconciliarmo-nos é a própria essência da nossa identidade comum de seguidores de Cristo. Voltando-nos para Ele, acompanhados pela nossa Mãe Santíssima aos pés da cruz, peçamos a graça da reconciliação com todo o povo de Deus. A doce intercessão de Nossa Senhora da Terna Misericórdia é uma fonte inesgotável de ajuda no nosso percurso de cura.

Vós e todos aqueles que sofreram abusos por parte de membros do clero, sois amados por Deus. Rezo para que, quanto resta da obscuridade que vos atingiu, seja curado pelo abraço do Menino Jesus e, ao dano que vos foi causado, suceda uma fé e uma alegria renovadas.

Obrigado por este encontro e, por favor, rezai por mim, para que os olhos do meu coração vejam sempre com clareza o caminho do amor misericordioso, e Deus me conceda a coragem de seguir este caminho para o bem dos menores.

Jesus sai de um julgamento injusto, de um interrogatório cruel e fixa os olhos de Pedro e Pedro chora. Nós pedimos-Lhe que nos olhe, que nos deixemos olhar e possamos chorar, e que nos dê a graça da vergonha, para podermos – como Pedro, quarenta dias mais tarde – responder-Lhe: «Tu sabes que Te amamos» e ouvir a sua voz: «Volta ao teu caminho e apascenta as minhas ovelhas e – acrescento eu – não permitas que algum lobo entre no rebanho».

Nem todos dormem ou se divertem

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

Que os bons leitores permitam ser localizados no momento em que vivo e escrevo. O Brasil acabou de vencer a Colômbia. Assisti parte do jogo com o Ir. Fernando e com o Pe. Alcides. Passara o dia ultimando um pequeno livro que me foi pedido pelo Provincial. Depois de uns vinte dias fora, a serviço, regressei, logicamente encontrando meus trabalhos acumulados. Estou correndo contra o relógio, pois vários me esperam. Sem contar os que chegam sem ser esperados. Nesta tarde a Editora Loyola me pediu que fizesse a revisão final de um de meus livros que deverá ser publicado brevemente. O trabalho chega sem pedir licença!… Continue lendo “Nem todos dormem ou se divertem”