Justiça e Paz

Texto de P. Mauro Odoríssio, CP.

Na festa do Preciosíssimo Sangue de Jesus, tive a oportunidade de me dirigir aos bondosos e pacientes leitores tecendo algumas considerações sobre a solenidade. Foi-me muito grato e espero que a reflexão tenha sido de valia.

Hoje, dia 02 de julho, presidindo a Eucaristia, senti-me tocado pelo Salmo Responsorial; ele alimentou minha reflexão pessoal e desejo partilhar algo. Como devo me ausentar da Paróquia por mais de uma semana, resolvi antecipar o contado com meus leitores partilhando um pouco de minha reflexão. Continue lendo “Justiça e Paz”

Deram o sangue

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

1º de Julho. Festa do Preciosíssimo Sangue de Cristo. A Família Passionista o celebra solenemente, mas não apenas neste dia; o mês todo é a ele dedicado.

Meus estudos me proporcionaram relativo conhecimento de Hematologia Bíblica: o tratado sobre a riqueza, a profundidade, a amplidão, o sentido e a importância do sangue na Bíblia e na cultura judaica. E ao me propor escrever este pequeno artigo, espontaneamente me veio à mente o título que o encima. Pensei: quando os jogadores de um time menos categorizado dão o máximo de si mesmos para vencer adversários mais fortes, usamos a expressão: “eles deram o sangue” para vencer. Com isso se diz que se empenharam ao máximo de si mesmos; praticamente deram a vida pela vitória. A expressão questiona. Continue lendo “Deram o sangue”

Filosofia, confiança e amor

Texto de P. Mauro Odoríssio, CP

Antigo e infeliz provérbio afirma: “filosofia é a ciência que, com a qual ou sem a qual, o mundo permanece tal e qual”. O dito pode ser jocoso, mas no mínimo é contraditório, pois se serve da filosofia, do pensamento, para negar sua utilidade.

O apreciado filósofo e professor Mario Sérgio Cortella, em singela obra dirigida ao povo, afirma que, por meio da filosofia é possível encarar o “cosmos” singela e programadamente. Eu acrescentaria que, por meio dela é possível, mais aprofundada e sistematizadamente, ir descobrindo os mistérios do mundo e sua razão de ser. Nada escapa da sua investigação, pois vai do hipotético “nada” ao chamado de “noesis noéseos”, o pensamento do seu pensamento: Deus. Reitero que a filosofia propicia reflexão mais profunda e sistematizada. Continue lendo “Filosofia, confiança e amor”

Consolar os aflitos

Texto de P. Alcides Marques, CP

Mais uma obra de misericórdia espiritual. Não precisa de muito esforço para entender em que sentido a consolação dos aflitos é uma ação misericordiosa. São muitos os motivos que levam uma pessoa a uma situação de aflição, tristeza, amargura. E sabemos que ao cair em tal situação, torna-se muito difícil sair sozinho da mesma. Não é que é impossível, mas, sem a ajuda das outras pessoas, a superação deste sofrimento torna-se mais difícil ainda. Para viver, precisamos uns dos outros. Continue lendo “Consolar os aflitos”

Corrigir os que erram

Texto de P. Alcides Marques, CP

Corrigir os que erram é mais uma das obras de misericórdia espiritual. Enquanto a outra obra – ensinar os ignorantes – diz respeito a algo que não sabemos, esta diz respeito a algo que sabemos, mas que não estamos conseguindo fazer da maneira que deveria ser feita. Para a maioria das pessoas não é nada fácil aceitar um erro e muito mais aceitar uma correção. Mas, a verdade da vida vai exigir tal caminho; por mais difícil que seja. Amar – como Jesus amou – não é fácil. Continue lendo “Corrigir os que erram”

Ninguém se acusa a si mesmo

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

Terminei o último domingo de maio embalado pela singela festa da coroação de Nossa Senhora. Depois da missa aconteceu a breve, mas tocante celebração. Tudo preparado pelas catequistas, com apoio dos pais, para a alegria da comunidade e, com a marcante participação de nossos catequizandos.

Num lugar destacado estava a imagem de Nossa Senhora Aparecida, sem o manto, sem a coroa. Parecia-me nova, vinda não sei de onde. As crianças, meninos e meninas, vestidos de anjos, participaram da celebração eucaristia. Para evitar voos incontroláveis, os anjos estavam sem as necessárias azas, por sinal, empilhadas no banco. E anjos sem esse meio de locomoção, o são pela metade. Estavam de branco, com coroas e destaque que facilitavam identificar os anjos das anjas. É certo: inquietos esperavam as asas necessárias para os voos rasantes e mergulhos que costumam fazer pelas diversas nuvens, com suas fantasias incontroláveis. Continue lendo “Ninguém se acusa a si mesmo”

Deixar-se misericordiar

Meditação do papa Francisco por ocasião do retiro espiritual do jubileu dos sacerdotes. Ano Santo da Misericórdia 02/06/2016

Na Igreja tivemos, e temos, tantas coisas não muito boas, e muitos pecados, mas nisto de servir os pobres com obras de misericórdia, como Igreja sempre seguimos o Espírito, tendo-o feito os nossos Santos de maneira muito criativa e eficaz. O amor pelos pobres é o sinal, a luz que faz com que as pessoas glorifiquem o Pai. É isto que o nosso povo aprecia no padre: se cuida dos pobres, dos doentes, se perdoa os pecadores, ensina e corrige com paciência… O nosso povo perdoa muitos defeitos nos padres, exceto o de serem agarrados ao dinheiro. O povo não o perdoa. E não é tanto pela riqueza em si, mas porque o dinheiro nos faz perder a riqueza da misericórdia. O nosso povo pressente os pecados que são graves para o pastor, que matam o seu ministério porque o transformam num funcionário ou, pior, num mercenário, e, diversamente, os pecados que são, não diria secundários – porque não sei se teologicamente se pode dizer isso –, mas possíveis de suportar, carregar como uma cruz, até que o Senhor finalmente os purifique, como fará com a cizânia. Ao contrário, o que atenta contra a misericórdia é uma contradição principal: atenta contra o dinamismo da salvação, contra Cristo que «Se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza» (cf. 2 Cor 8, 9). Sucede isto, porque a misericórdia cura à custa de «perder algo de si mesma»: um retalho do coração fica com o ferido, perdemos um momento da nossa vida quando o damos a outrem numa obra de misericórdia, em vez de o ocuparmos naquilo que nos apetecia fazer.

Por isso, não se trata de Deus ter misericórdia de mim numa falta ou noutra como se, no resto, eu fosse autossuficiente, nem se trata de realizar, de vez em quando, algum ato especial de misericórdia com uma pessoa necessitada. A graça que pedimos, nesta oração, é a de nos deixarmos «misericordiar» por Deus em todos os aspectos da nossa vida e sermos misericordiosos com os outros em toda a nossa atividade. Para nós, padres e bispos, que trabalhamos com os Sacramentos batizando, confessando, celebrando a Eucaristia… a misericórdia é o modo de transformar toda a vida do povo de Deus em sacramento. Ser misericordioso não é apenas um «modo de ser», mas «o modo de ser». Não há outra possibilidade de ser sacerdote. O Cura Brochero dizia: «O sacerdote que não sente muita compaixão pelos pecadores, é um meio-sacerdote. O que me faz sacerdote não são estes trapos abençoados de que estou revestido; se não levo no meu peito a caridade, nem a cristão chego».

Ensinar os ignorantes

Texto de P. Alcides Marques, CP

A racionalidade é uma das características fundamentais do ser humano. Não é a única, mas seguramente é necessária para a existência humana. Em outras palavras, sempre precisamos aprender coisas novas; incorporar novos conhecimentos. Não é à toa que os sites de pesquisa são os mais visitados na internet. “O coração inteligente adquire o saber, o ouvido dos sábios procura o conhecimento” (Pr 18,15). A nossa saúde mental depende disso. Um dos mais fortes sinais do envelhecimento de uma pessoa, é a sua incapacidade de aprender coisas novas. Continue lendo “Ensinar os ignorantes”