Perdoa tudo e perdoa sempre

Homilia do Papa Francisco, na Basílica Vaticana, dia 13/03/2015, durante uma celebração da Penitência.

A chamada de Jesus leva cada um de nós a nunca se deter na superfície das coisas, sobretudo quando estamos diante de uma pessoa. Somos chamados a olhar para além, a fixar o coração para ver de quanta generosidade cada um é capaz. Ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus; todos conhecem o caminho para aceder a ela e a Igreja é a casa que acolhe todos e não rejeita ninguém. As suas portas permanecem abertas, para que quantos são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior for o pecado maior deve ser o amor que a Igreja manifesta em relação àqueles que se convertem. Com quanto amor Jesus olha para nós! Com quanto amor cura o nosso coração pecador! Nunca se assusta com os nossos pecados. Pensemos no filho pródigo que, quando decide voltar para o pai, pensa no que lhe deve dizer, mas o pai não o deixa falar, abraça-o (cf. Lc 15, 17-24). Assim faz Jesus conosco. «Pai, cometi tantos pecados…» — «Mas Ele ficará contente se tu fores: abraça-te com tanto amor! Não tenhas receio».

Queridos irmãos e irmãs, pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos percorrer este caminho. Por isso decidi proclamar um Jubileu extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: «Sede misericordiosos como o Pai» (cf. Lc 6, 36). E isto sobretudo para os confessores! Muita misericórdia!

Este Ano Santo terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição e concluir-se-á a 20 de Novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo e rosto vivo da misericórdia do Pai. Confio a organização deste Jubileu ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, para que o possa animar como uma nova etapa do caminho da Igreja na sua missão de levar o Evangelho da misericórdia a todas as pessoas.

Estou certo de que toda a Igreja, que tem tanta necessidade de receber misericórdia, porque somos pecadores, poderá encontrar neste Jubileu a alegria para redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual cada um de nós está chamado a dar conforto a todos os homens e mulheres do nosso tempo. Não nos esqueçamos de que Deus perdoa tudo, e Deus perdoa sempre. Não nos cansemos de pedir perdão. Desde já confiamos este Ano à Mãe da Misericórdia, para que dirija para nós o seu olhar e vele sobre o nosso caminho: o nosso caminho penitencial, o nosso caminho com o coração aberto, durante um ano, para receber a indulgência de Deus, para receber a misericórdia de Deus.

Nascer para o Alto

Texto de P. Alcides Marques, CP

A graça de Deus nos eleva, nos torna maiores (espiritualmente falando), nos diviniza. Não é que a graça de Deus vem para negar a natureza humana, mas ela vem para conduzir essa mesma natureza até as alturas de Deus. Uma coisa é viver simplesmente segundo a condição humana – instintos, impulsos etc. Outra coisa é deixar-se guiar pela energia divina que temos dentro de nós. Continue lendo “Nascer para o Alto”

Senhor, ensina-nos a rezar

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

“Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11,1). A súplica do discípulo não poderia ser mais profunda e real. Quem mais e melhor do que Jesus para ensinar verdadeiramente a rezar e a rezar verdadeiramente a única e verdadeira oração?! Só se reza verdadeiramente em Cristo. “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor, entrarão nos reino dos céus” (Mt 7,21). Então, a oração vem, fica e vai além da boca.

Jesus não ensinou o Pai Nosso como os nossos pais fizeram conosco. Não fez ninguém decorar palavra por palavra a serem repetidas de cor. Seria grande equívoco pensar assim. Não passou prece prontinha, impressa e empacotada com papel de presente e fita colorida, cabendo a nós desembrulhá-la, usando-a oportunamente e, quem sabe, como se fôssemos disco. Foi revelando que não somos apenas criaturas de Deus, mas também, filhos. O relacionamento criatura- criador é bem mais limitado do que a de filho ou filha para com os pais: aqui deve haver vínculo amoroso acima de tudo. Continue lendo “Senhor, ensina-nos a rezar”

Do Papai Noel ao coelho

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

Os últimos acordes das festas do final e do início de ano não se foram de todo e os primeiros estrépitos do carnaval já se fazem ouvir. O “Adeus ano velho e feliz ano novo” com o espocar dos champanhas ainda ressoam, e os sons das cuícas e dos pandeiros já se fazem sentir. O papai noel ainda despe  sua ridícula fantasia e os carnavalescos vestem as de tantas ilusões. Isto quando se vestem. Continue lendo “Do Papai Noel ao coelho”

Mudar: sim ou não?

Texto de P. Alcides Marques, CP

Não é segredo pra ninguém que o papa Francisco está conduzindo o seu pastoreio da Igreja católica num tom de maior abertura aos desafios dos tempos atuais. Poderíamos dizer que ele está preparando a Igreja para algumas fortes mudanças. Mas mudanças em que direção? Certamente na direção de colocar a Igreja em maior sintonia com os tempos atuais. Quais mudanças? Ainda não sabemos. Quando? Também não sabemos. Como então encarar mudanças futuras na Igreja? Do mesmo jeito que as mudanças no passado foram encaradas. Com cuidado e coragem. Continue lendo “Mudar: sim ou não?”

Je suis Charlie, mas nem tanto

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

O título que encima nossa reflexão pede algumas considerações que o aclarem. Diferentemente poderia deixar a impressão de estarmos “em cima do muro”.

É-nos fundamental: repudiamos toda e qualquer violência ou assassinato, originem-se de onde vierem, acobertados ou não com rótulos dogmatizantes como o da liberdade de expressão. Nem por isso seriam menos criminosos. Repudiamos a matança feita com bombas, assim como as perpetradas com a pena, com a língua e até mesmo com charges destemperadas e detonadoras. Afinal, nossa vida não é somente a física, mas também a moral e a intelectual. Continue lendo “Je suis Charlie, mas nem tanto”

Nem o dia, nem o mês, nem a hora

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

Véspera de Natal 2014.

Tomamos a liberdade de partilhar nossa reflexão com leitores que nos acompanham em nossas considerações. Desejamos, com corações comungantes, rezar, mas dispensando palavras.

Nem o dia, nem o mês, nem a hora! E acrescentamos: nem o tempo, nem o lugar, e nem o ano. Sim! Ignoramos essas referências a respeito do nascimento de Cristo. Os critérios tempo, lugar e situações se calam para que fale alto o segredo celebrado e que foge de qualquer cerceamento, de qualquer apropriação. Então, o mistério “Deus-conosco” não é “prisionável” porque ele é todo, de todos e para sempre. Foge das categorias temporais, espaciais, pessoais. Ele é transcendente, eterno. Continue lendo “Nem o dia, nem o mês, nem a hora”

Natal: Deus entre nós e em nós

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

No dia 27 de novembro, nos solicitaram um artigo sobre o Natal. O tema pode ser abordado de diversas fontes, sob vários aspectos, de distintas maneiras e variegada profundidade, etc.

No dia seguinte, 28 de novembro, trabalhávamos a revisão de nosso livro de fantoches, objetivando levar as Escrituras de maneira mais fácil e atraente às crianças. Visamos fazer com que a Palavra de Deus chegue o mais eficaz e facilmente aos corações infantis. Temos vários trabalhos publicados a respeito e elaboramos outros, cientes de que estamos chegando atrasados. Isso, quando chegamos a elas. Continue lendo “Natal: Deus entre nós e em nós”