Trindade e pessoa humana

Texto de P. Alcides Marques, CP

O Novo Testamento atesta que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são realmente três, ou seja, se relacionam mutuamente. Atesta também que são de condição divina. Mas nunca insinua que são três deuses. Ao contrário, sempre deixa claro que formam uma unidade absoluta. Como afirmar simultaneamente o um e o três em Deus? A Igreja precisou de um tempo para poder aclarar melhor o significado de sua convicção trinitária, normalmente impulsionada por controvérsias (heresias) que teimavam em negar o “três” para afirmar o “um”. Duas foram as grandes controvérsias trinitárias: o modalismo e o subordinacionismo. Comecemos pelo modalismo. Continue lendo “Trindade e pessoa humana”

O bem e o bom

Texto de P. Mauro Odoríssio, CP

O ser humano é muito menos ilha do que imagina. Cada vez mais se descobre parte integrante do mundo onde se situa. E, por acréscimo, sabe-se dele senhor, com capacidade de sempre mais,  conhecê-lo, adaptá-lo e controlá-lo para seu próprio bem estar. Aliás, ele recebeu essas missões do Criador: reger as aves dos céus, os animais da terra e os peixes dos mares (Gn 1,26). Continue lendo “O bem e o bom”

Trindade e comunidade

Texto de P. Alcides Marques, CP

O ser humano é um ser social. Social não só porque precisa das outras pessoas para sobreviver (padeiro, médico etc.), mas também porque o envolvimento com outras pessoas é a condição essencial para que seja ele próprio. “Ninguém é uma ilha”, dizia Tomas Merton. Você precisa ser você mesmo, mas precisa também das outras pessoas. A doutrina trinitária nos ajuda a compreender o valor da nossa singularidade e o valor da comunidade em nossas vidas. Infelizmente, não estamos acostumados com tal visão, pois a doutrina trinitária acabou se transformando numa mera fórmula – um Deus em três pessoas -, sem maiores consequências em nossas vidas concretas. Continue lendo “Trindade e comunidade”

Não tão bíblicos, mas bíblicos

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

Nos dias 25 e 26 de maio de 2014, os nossos meios de comunicação realçaram a visita do Papa Francisco a uma das regiões mais explosivas do mundo, contraditoriamente conhecida como Terra Santa. Sua missão de paz não é fácil; qualquer deslize ou palavra fora do convencional podem ferir suscetibilidades. Ele almeja levantar pontes de comunicação e de diálogo; tem algo a dizer e o terreno é minado. Continue lendo “Não tão bíblicos, mas bíblicos”

Gemma; a gema de Jesus

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

Vivemos, ainda, o reflexo da celebração de Santa Gemma (16/05) e, atendendo solicitações, partilhamos com os leitores algo da reflexão feita na Eucaristia.

Principiemos pelo título: ele pode sugerir que a Santa nasceu tal. Isto porque as gemas podem deixar a idéia de já serem preciosas na origem, dispensando posterior ação aperfeiçoadora do buril.  Gemma, não! Como Paulo, colaborou eficazmente com a graça recebida (1Cor 15,10), correspondeu ao amor divino. Desde criança almejou “il paradiso”, herança de sua mãe gravemente enferma. Continue lendo “Gemma; a gema de Jesus”

De Jesus para o Espírito Santo

Texto de P. Alcides Marques, CP

As três pessoas da Santíssima Trindade são realmente três pessoas. Não é que uma mesma e única pessoa ora representa o papel de Pai, ora de Filho, ora do Espírito Santo.  E também não é que uma das pessoas, no caso o Pai, possui mais dignidade do que as outras. O Novo Testamento testemunha que são três e que participam da mesma dignidade divina.

Não temos condições de entender tal mistério com a nossa inteligência humana, mas se amamos algumas pessoas neste mundo, sem dúvida teremos condições de nos aproximar bastante do mistério trinitário. “Pois o amor vem de Deus e todo aquele que ama vem de Deus e conhece a Deus” (1 Jo 4,7b). A festa da ascensão representa a passagem do tempo de Jesus para o tempo do Espírito Santo. Não é que Jesus abandona seus discípulos, mas Ele se fará presente de outra forma. Continue lendo “De Jesus para o Espírito Santo”

Papa e Patriarca

É nossa profunda convicção que o futuro da família humana depende também do modo como protegermos – de forma simultaneamente prudente e compassiva, com justiça e equidade – o dom da criação que o nosso Criador nos confiou. Por isso, arrependidos, reconhecemos os injustos maus-tratos ao nosso planeta, o que aos olhos de Deus equivale a um pecado. Reafirmamos a nossa responsabilidade e obrigação de fomentar um sentimento de humildade e moderação, para que todos possam sentir a necessidade de respeitar a criação e protegê-la cuidadosamente. Juntos, prometemos empenhar-nos na sensibilização sobre a salvaguarda da criação; apelamos a todas as pessoas de boa vontade para tomarem em consideração formas de viver menos dispendiosas e mais frugais, manifestando menos ganância e mais generosidade na proteção do mundo de Deus e para benefício do seu povo.
Parte da declaração conjunta do Papa Francisco e do Patriarca ecumênico Bartolomeu –  25/05/2014.

Aprite le fenestre!

Texto de P. Mauro Odorissio, CP

O Bíblico de Roma jamais dispensava aulas.  Exigia o máximo dos futuros exegetas. Tratava-os com severidade marcial: “o questa minestra, o questa fenestra”: ou toma esta sopa ou caia fora por esta janela.

A Igreja estava sob o impacto da morte de Pio XII que a dirigira por décadas. Os cardeais, em conclave, estavam prontos para eleger o próximo Papa. A expectativa era tanta que o Bíblico chegou a dispensar a última aula para que os seus pudessem ver a “fumata del mezzo giorno” (a fumaça do meio dia). Depois de dias indo ao Vaticano e só ver a “fumata nera” (fumaça preta = sinal da não eleição do papa), resolvi voltar para casa. Era 28 de outubro de 1958. “Vou cuidar de minha vida”, pensei. Continue lendo “Aprite le fenestre!”

Conhecimento de Deus

“Se vocês não podem descrever uma coisa simples como o perfume de uma rosa, como alguém poderá descrever uma experiência de Deus? Todas as palavras serão inadequadas. Deus é totalmente além disso. É isso que há de errado com as palavras. Há um grande místico que escreveu A nuvem do desconhecimento, grande livro cristão. E ele diz: ‘Você quer conhecer Deus?’ Só há um meio de conhecê-lo: pelo não-conhecimento”. (Anthony de Mello, Caminhar sobre as águas)